Rio de Janeiro, . | Economia, Política, Socialismo


Venezuela: uma tragédia anunciada

Alexandre B. Cunha

Recentemente, diversos países, entre eles Brasil, Estados Unidos, Argentina, Canadá, Chile e Colômbia, deixaram de reconhecer o ditador Nicolás Maduro como presidente da Venezuela. Na visão dessas nações, o legítimo governante venezuelano é o presidente da assembleia legislativa Juan Guaidó. Dentre outras consequências, Maduro perdeu a capacidade de movimentar alguns dos recursos, como ouro e dólar, que a Venezuela possui no exterior. Apesar disso, o regime socialista, cuja queda é uma condição necessária para que o país possa se reerguer, não dá sinais de que aceitará pacificamente o seu fim. Assim sendo, não é possível vislumbrar um desfecho próximo para tragédia que se abateu sobre a Venezuela.

A economia da Venezuela se encontra em um estado de completo desarranjo. O PIB caiu 16,5% em 2016 e 16,6% em 2017. A título de comparação, durante a severa recessão que atingiu o Brasil em 2015 e 2016, o seu PIB se contraiu por, respectivamente, 3,8% e 3,6%. Como se isso não bastasse, a economia venezuelana está em contração desde 2014 e nada indica que tenha ocorrido um crescimento em 2018. Assim sendo, tudo indica que ao longo dos últimos cinco anos a economia do país tenha sofrido uma contração superior a 1/3. No tocante à inflação, o quadro não é muito mais animador. Por exemplo, em 2018 os preços cresceram mais de um milhão por cento.

Evidentemente, o bem-estar do povo venezuelano foi fortemente afetado pela crise econômica. A fome assola a população pelo menos desde 2016. Os hospitais entraram em colapso. O mesmo ocorreu com o abastecimento de energia elétrica e de água, com o transporte público e com a coleta de lixo. Assim como os alimentos, os remédios praticamente desapareceram. O caos é tamanho que, devido à dificuldade de obter um serviço funerário padrão, algumas famílias enterraram parentes falecidos no quintal de casa. Possivelmente é melhor não imaginar quais são as opções disponíveis para as famílias que residem em apartamentos…

Em qualquer sociedade minimamente democrática, nenhum governo sobreviveria a tamanho caos. Contudo, justamente o fato da Venezuela ser uma ditadura permite que Nicolás Maduro e os seus cúmplices permaneçam entrincheirados no poder. Desnecessário dizer que os chavistas não hesitam em lançar mão da truculência que caracteriza os regimes socialistas. Opositores são colocados na cadeia, presos são torturados, manifestações são reprimidas de forma violenta e a escassez de alimentos se transformou em um instrumento de chantagem. Como se tudo isso não bastasse, a ditadura planeja lançar mão de um cartão necessário para ter acesso a benefícios como cestas básicas, pensões e serviços de saúde para aumentar o seu controle sobre os indivíduos.

Paola Ramirez, manifestante venezuelana assassinada por milicianos chavistas. Fotógrafo: desconhecido/Voz da América. Fonte: Wikimedia Commons.

Em resposta ao caos, muitas pessoas optaram em “votar com os pés”. Pelo menos 3 milhões de venezuelanos emigraram nos últimos anos. Isso equivale a 8,65% da população total (i.e., residindo no país e no exterior) da nação. Para se ter uma ideia da dimensão desse êxodo, se a mesma percentagem de brasileiros resolvesse partir, então aproximadamente 18 milhões de indivíduos sairiam deste país. Em seu desespero em fugir da opressão e da miséria socialista, os venezuelanos fogem até mesmo a pé para destinados variados como o estado de Roraima e países como Colômbia, Equador e Peru.

Venezuelanos indo a pé para o Peru. Fonte: YouTube.

Uma característica realmente surpreendente da tragédia venezuelana é a sua previsibilidade. Afinal de contas, tudo que está ocorrendo naquela nação já aconteceu, em maior ou menor grau, em todas as experiências socialistas. Há que se deixar esse ponto absolutamente claro: o socialismo é um regime fracassado que somente produziu pobreza e tirania em todos locais no qual foi implantado. Assim sendo, por qual motivo os chavistas teriam sucesso onde Lenin, Stalin, Mao, Kim Il-sung, Pol Pot, Fidel Castro e outros tiranos socialistas falharam?

Este autor adoraria concluir este texto afirmando que o desastre venezuelano não se repetirá. Afinal de contas, não faltam evidências de que, ao contrário do que afirmam os militantes esquerdistas, a estrada que conduz ao socialismo tem como destino final uma monstruosa combinação de miséria, opressão e ódio. Contudo, isso já era bem sabido antes do tirano Hugo Chávez iniciar a destruição da Venezuela. Logo, não é impossível que outras nações venham a cometer o mesmo equívoco. Dito isto, cabe a nós, brasileiros decentes e amantes da liberdade e da democracia, impedir que tamanha tragédia ocorra no Brasil.


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