Rio de Janeiro, . | Liberdade, Socialismo


Um gato escondido com o rabo de fora: escravidão no programa Mais Médicos

Alexandre B. Cunha

Em julho de 2013, o governo petista lançou o programa Mais Médicos. O seu objetivo declarado consistia em trazer até 10 mil médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil. Após algumas idas e vindas, o Brasil terminou por fazer um acordo com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) para contratar, em um primeiro momento, em torno de 6.600 médicos cubanos. Posteriormente o programa se expandiu, de forma que no final de 2015 aproximadamente 11.400 daqueles profissionais trabalhavam no Brasil. Vale ressaltar que a OPAS atua como uma mera intermediária, pois os cubanos jamais poderiam vir para o Brasil sem a anuência do governo dos irmãos Castro.

O parágrafo acima já é suficiente para estabelecer, mesmo para uma pessoa totalmente desinformada sobre as características tirânicas do socialismo, que existe algo muito errado em Cuba. De fato, como pode alguém bater na porta do chefe do executivo de uma nação, pedir para “alugar” seis mil profissionais e ser atendido? Em outras palavras, se algum governo ou entidade pedir ao presidente dos EUA ou da França ou da Itália ou ao primeiro-ministro do Reino Unido ou do Japão que ele lhe providencie seis mil médicos ou seis mil engenheiros ou seis mil professores de matemática a resposta será a expressão “isso não é possível” proferida em um tom de surpresa.

Com exceção das nações socialistas, em nenhum lugar do mundo o governo tem à sua disposição seis mil profissionais civis. Essa singular capacidade do governo cubano é uma aberração ditatorial. De fato, a simples presença de tantos profissionais daquele país no Brasil é evidência de uma das mais aterradoras características de Cuba: a capacidade que o estado possui de dispor das pessoas como se elas fossem objetos. A propósito, pessoas sendo tratadas como objetos?! Não estamos a falar de escravos?! É, o rabo do gato está aparecendo…

A forma de remuneração dos médicos cubanos que aqui estão é uma importante evidência da sua condição de escravos. Cada profissional custa ao governo brasileiro um valor ligeiramente superior a R$ 10 mil mensais. Desse total, o médico recebe aproximadamente R$ 3 mil e o governo cubano se apropria dos 70% restantes. Como se isso não bastasse, as poucas informações disponíveis sugerem que a parcela destinada ao médico não lhe é integralmente paga aqui no Brasil; quantia equivalente a R$ 2 mil mensais seria depositada em uma conta em um banco cubano, de forma que o trabalhador somente poderia acessar esses recursos após retornar à Cuba.

As informações contidas no parágrafo anterior se tornam ainda mais contundentes quando se leva em consideração que antes do governo petista anunciar o acordo com a OPAS, foi publicado um edital no qual estava previsto que um médico estrangeiro poderia vir para o Brasil por sua iniciativa individual e ter como remuneração justamente o valor que o país paga por cada profissional cubano. Dito isto, considere agora a seguinte pergunta: o que impediu um médico cubano que veio para o Brasil nos termos descritos no parágrafo anterior de se candidatar individualmente e receber a totalidade dos R$ 10 mil mensais? A resposta é simples: Cuba é uma tirania que usurpa dos seus habitantes até mesmo o básico direito de ir e vir.

Além de todas as ignomínias descritas acima, o cubano participante do Mais Médicos não pode trazer a sua família para o Brasil. Ela é obrigada a permanecer em Cuba. Essa restrição tem como objetivo reduzir o incentivo do profissional em pedir asilo, pois ele sabe que se não retornar à Cuba dificilmente voltará a se reunir com seu cônjuge, seus filhos e demais familiares.

Os fatos acima descritos permitem que se tenha uma visão clara da situação de um médico cubano que trabalha no Brasil. A ditadura caribenha impediu que ele se candidatasse, de forma individual, a um emprego que oferecia uma remuneração mensal de R$ 10 mil. Presentemente ele tem justamente o emprego em questão; porém, o governo cubano se apropria de 70% daqueles dez mil reais. Uma parcela dos 30% restantes somente estará disponível para o médico quando ele voltar para a sua masmorra socialista. Adicionalmente, para impedir que ele tente fugir para outro país, a sua família foi obrigada a permanecer em Cuba. Por outro lado, existia no Brasil pré-abolição a figura do escravo de aluguel. Um cativo fazia parte dessa categoria quando ele era, literalmente, alugado pelo seu proprietário para uma pessoa ou entidade que tivesse interesse nos seus serviços. Infelizmente, esta é a exatamente a situação na qual se encontra o médico cubano. Ele está no nosso país na condição de escravo de aluguel.


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