Rio de Janeiro, . | Esquerdismo, Política


Sobre as mensagens divulgadas pelo Intercept: parte 1

Alexandre B. Cunha

Este é o primeiro de uma série de três textos sobre as mensagens divulgadas pelo website The Intercept. Este ensaio contém uma visão geral dessa questão. O segundo artigo discute as suas possíveis implicações jurídicas. Por fim, o terceiro analisa os seus desdobramentos políticos.

Conforme amplamente divulgado pela imprensa brasileira, o Intercept tem publicado, a conta-gotas, mensagens trocadas por diversos procuradores federais e também pelo ex-juiz e atual ministro da justiça Sergio Moro. Muito possivelmente a obtenção dessas mensagens ocorreu maneira criminosa, pois ela se deu sem uma autorização judicial ou o consentimento dos interlocutores. De toda forma, como tal conteúdo foi divulgado, ele pode vir a ter consequências jurídicas e políticas.

A plena compreensão desse lamentável episódio requer que se tenha uma visão geral do que é o Intercept. De acordo com o próprio, ele seria uma “agência de notícias dedicada à responsabilização dos poderosos por meio de um jornalismo destemido e combativo”. Um dos seus fundadores é o Sr. Gleen Greenwald, que também é o mais destacado integrante da organização. Porém, ele não é conhecido somente pelo seu trabalho como jornalista. Na verdade, a sua militância na causa socialista é tão notória que ele fez jus a um verbete no projeto Discover the Networks, o qual cataloga militantes e entidades da extrema esquerda.

Evidentemente, o fato de Gleen Greenwald ser um esquerdista radical não estabelece que ele põe a causa que ele abraçou acima do seu trabalho. Todavia, o próprio manifestou publicamente que o jornalismo deve ser colocado a serviço da militância esquerdista. Por exemplo, no dia 30 de julho de 2018 ele publicou a seguinte mensagem no Twitter:

Os jornalistas ainda não têm uma estratégia eficaz para bater Bolsonaro, e a entrevista #RodaViva acabou de provar isso. É preciso desenvolver uma rapidamente.

Bem, mais claro do que isso impossível…

Tendo em vista o tipo de ‘jornalismo’ advogado por Gleen Greenwald, não é de surpreender que existam diversas inconsistências no material divulgado pelo Intercept. Tanto que em um vídeo disponibilizado no YouTube, o jornalista José Nêumanne Pinto aponta vários problemas no material em questão.

No artigo Os próximos passos da operação Lula Livre, publicado neste blog em 16 de setembro de 2018, afirmou-se que

[…] o objetivo final do movimento em favor de Lula era fazer com que o presidiário de Curitiba retornasse à presidência da República. Já se sabe que isso não ocorrerá nesta eleição. Contudo, em 2022 haverá outro pleito presidencial e o PT poderá novamente lançar a candidatura do condenado […] nada sugere que os petistas se conformaram com a prisão e a inelegibilidade do seu líder supremo. A operação Lula Livre, que na verdade não passa de uma fachada para um movimento que busca colocar o presidiário de Curitiba no Palácio do Planalto, ainda não foi derrotada de forma definitiva. O Brasil precisa estar preparado para enfrentar as pressões, os artifícios e os logros que muito possivelmente o PT já está arquitetando.

É em tal contexto que as ditas ‘reportagens’ se inserem. Ou seja, o que os militantes do Intercept estão tentando fazer é tirar o presidiário de Curitiba da cadeia e, principalmente, contribuir para que o referido malfeitor retorne ao Planalto. E é por isso que eles tentam desesperadamente descrever aqueles que combatem o crime como criminosos e retratar o líder criminoso como vítima.

Claramente, o website The Intercept abraçou a causa petista.

Conforme mencionado acima, todo material em poder do Intercept possivelmente tem origem criminosa. Logo, não se pode descartar que uma ação judicial interrompa a sua divulgação. Por tal motivo, o website tinha um forte incentivo para publicar inicialmente o conteúdo mais comprometedor para Sergio Moro e os procuradores. Desta forma, não é de surpreender que o material divulgado ontem já seja essencialmente irrelevante. Colocando de outra forma, aparentemente a munição do Intercept acabou. Assim sendo, tudo indica que Gleen Greenwald e os demais militantes esquerdistas fracassaram jurídica e politicamente. Todavia, isso é assunto para os dois próximos textos.


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