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Sobre a presente polarização política no Brasil

Alexandre B. Cunha

O ambiente político se encontra bastante polarizado no Brasil pelo menos desde as eleições de 2014. Discute-se neste breve texto o fenômeno em questão. Argumenta-se que: (1) a esquerda radical inviabiliza a ocorrência de debates que não sejam acirrados; (2) debates acirrados são necessários para conter o avanço da esquerda radical; (3) acabar com a polarização equivale a permitir que a esquerda radical monopolize o discurso político; (4) essa polarização é extremamente benéfica para o Brasil.

Manifestações pró e contra o impeachment de Dilma Rousseff. Fotógrafos: Wilson Dias/Agência Brasil (pró) e Tomaz Silva/Agência Brasil (contra). Fonte: Flickr. As fotos foram editadas com intuito de gerar a combinação acima.

Tendo em vista que a expressão esquerda radical é utilizada diversas vezes ao longo deste texto, convém explicitar o seu significado. O grupo político em questão corresponde ao conjunto de todos militantes e simpatizantes do complexo composto por PT, PSOL, PC do B, MTST, MST, PSTU, black blocs, CUT, UNE e demais organizações de caráter socialista. Após essa breve digressão, discute-se a seguir cada um dos quatro pontos listados no parágrafo anterior.

1   A esquerda radical inviabiliza a ocorrência de debates que não sejam acirrados

Há pelo menos dois motivos para tanto. O primeiro é dado pelo fato de os militantes e simpatizantes da causa socialista terem como prática satanizar e caluniar aqueles que não comungam das suas crenças. Frequentemente, tão logo uma pessoa manifeste uma posição contrária aos dogmas da esquerda radical ela será tachada de fascista, golpista etc. Evidentemente, tal ambiente não é exatamente propício para a troca de ideias e a exposição de opiniões antagônicas…

Com relação ao segundo motivo, os integrantes da esquerda radical defendem abertamente condenados como Lula e José Dirceu. Simplesmente não há como haver um debate ameno enquanto os adeptos da causa socialista se comportarem dessa forma.

2   Debates acirrados são necessários para conter o avanço da esquerda radical

Suponha que os integrantes da esquerda radical tenham a oportunidade de realizar as suas atividades de agitação e propaganda sem que qualquer voz se levante para contestar as inverdades por eles proferidas. O resultado é simples: o número de simpatizantes da causa socialista crescerá até que seja inevitável que o Brasil se transforme em uma tirania similar àquelas existentes em Cuba e na Coréia do Norte.

Um corolário do argumento acima é que a contenção da esquerda radical exige que os seus argumentos sejam publicamente contestados. Ora, isso certamente dará inicio a um debate. O raciocínio desenvolvido tópico anterior estabelece que esse debate será necessariamente acirrado.

3   Acabar com a polarização equivale a permitir que a esquerda radical monopolize o discurso político

Considere o que ocorreria se todos os brasileiros que se opõem à esquerda radical se abstivessem de fazer comentários de cunho político. Ou seja, ninguém mais iria postar no Facebook ou no Twitter um comentário como “a condenação do Lula foi justa”, “o socialismo destruiu a Venezuela” etc. Será que a esquerda radical reduziria o tom? É evidente que não. Os simpatizantes da causa socialista continuariam a falar em alto e bom som que “não há provas contra o Lula”, “o Moro é um agente da CIA”, “vamos para as ruas de armas na mão” e outras barbaridades similares. Em síntese: ou haverá polarização ou a esquerda radical terá o monopólio do discurso político.

4   Essa polarização é extremamente benéfica para o Brasil

A polarização política teve duas consequências extremamente positivas para o Brasil. A primeira delas decorre da discussão realizada no tópico 2. Não tivesse ocorrido a polarização, então a causa socialista teria continuado a avançar sem encontrar oposição.

A segunda consequência foi o impeachment de Dilma Rousseff. Aquela senhora certamente ainda estaria no Planalto se os brasileiros não tivessem ido para as ruas e às redes sociais manifestar a sua insatisfação com o governo petista e, consequentemente, confrontado a esquerda radical. Tivesse ela permanecido na presidência, a crise econômica que começou a ser debelada após o seu afastamento teria sido muito mais forte. Dificilmente o país chegaria às eleições de 2018 sem que ocorresse o colapso financeiro do governo federal. Ou seja, a polarização nos salvou do caos econômico e social.

Considerações finais

Não há como o Brasil ter um ambiente político ameno sem que a esquerda radical seja a dona da única voz a se manifestar. O preço a ser pago para impedir que os seguidores do culto socialista tenham o monopólio da arena política é a polarização. E há que se ter em mente o seguinte ponto: esse preço é muito baixo quando comparado à alternativa. Ou a esquerda radical será confrontada, o que necessariamente causará uma polarização, ou o Brasil marchará a passos largos em direção ao abismo do totalitarismo socialista. Certamente a polarização é, por ampla margem, o mal menor.


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