Rio de Janeiro, . | Esquerdismo, Política


Quatro lições da libertação do Lula

Alexandre B. Cunha

Infelizmente, os petistas tiveram sucesso em retirar o Lula da cadeia. Esse infame acontecimento deixa pelo menos quatro importantes lições, as quais são discutidas abaixo.

Lição 1: a esquerda radical jamais desiste

Se alguém ainda não tinha se dado conta disso, então talvez a libertação do Lula deixe claro que a esquerda radical jamais desiste. Ela é simplesmente incansável. Assim sendo, é um erro sério assumir que ela desistiu ou foi derrotada. Na verdade, ela tem que ser combatida a cada segundo.

Lição 2: o real projeto petista

Não faltam pessoas que apesar de supostamente não serem petistas, afirmam coisas como “Em 13 anos no Planalto, o [PT] cometeu muito erros, mas nunca ofereceu risco às instituições” e que o PT “nasceu, cresceu na democracia, ele sempre jogou o jogo democrático e governou respeitando as instituições democráticas“. Sejamos claros: essas afirmativas não são verdadeiras. Este autor discutiu essa questão em pelo menos dez outros textos (link 1, link 2, link 3, link 4, link 5, link 6, link 7, link 8, link 9 e link 10).

As pessoas que afirmam que o PT respeita a democracia ignoram a opinião dos próprios petistas. Por exemplo, no vídeo abaixo o notório mensaleiro José Dirceu, também libertado em decorrência da decisão do STF, declara que “precisamos deixar claro o que nós somos: nós somos petistas, de esquerda e socialistas”. Será que algo mais é preciso para estabelecer a real natureza do PT?

Tendo em vista que o Zé Dirceu resolveu nos lembrar do caráter socialista do PT, então não custa explicitar o seguinte ponto: eleger Lula em 2022 não é o principal objetivo do PT; na verdade, isso é tão somente uma etapa intermediária do projeto de transformar o Brasil em uma tirania socialista. E o partido não faz segredo disso. O leitor que desejar informações adicionais sobre esse fato pode ler o documento denominado O Socialismo Petista, o qual está disponível no site de uma organização oficialmente vinculada ao PT, a Fundação Perseu Abramo.

O PT almeja transformar o Brasil em uma tirania socialista similar àquelas existentes em Cuba e na Coréia do Norte.

Lição 3: por que o PT é tão perigoso

O PT é extremamente perigoso devido à combinação de pelo menos três fatores: (i) o seu projeto socialista, (ii) a sua hegemonia na grande imprensa, nos estabelecimentos educacionais e no meio artístico e (iii) a sua penetração no poder judiciário. Esses pontos são discutidos separadamente a seguir.

Considere inicialmente o fator (i). Conforme discutido acima, a essência do projeto petista consiste em subjugar o povo brasileiro e submetê-lo a um regime totalitário de cunho socialista. Outros agrupamentos políticos, como o PSOL e o PC do B têm o mesmo objetivo. Todavia, essas entidades são tão somente linhas auxiliares do PT. Em outras palavras, o PT é, por ampla margem, o principal partido da extrema esquerda brasileira.

Algumas pessoas tentam comparar o socialismo a outros regimes autoritários, como a ditadura militar brasileira e o governo de Pinochet no Chile. Todavia, por mais condenáveis que sejam esses últimos regimes, tal analogia não é razoável. Primeiro, o socialismo é muito mais violento e homicida do que qualquer um deles. Segundo, a longevidade da atual tirania cubana e a tragédia que presentemente se desenrola na Venezuela mostram o quão mais difícil é retirar os socialistas do poder. Em outras palavras, a ideia de que os governos militares que existiram na América Latina são em algum sentido equivalentes às ditaduras socialistas é simplesmente ridícula; somente pessoas desinformadas ou mal-intencionadas fazem esse tipo de comparação.

Resumindo a discussão sobre o fator (i), o PT é o partido líder da esquerda radical no Brasil e nenhum outro grupo político tem uma proposta tão ruinosa para o Brasil quanto o projeto socialista do PT e das suas linhas auxiliares. Por si só, isso já seria suficiente para estabelecer que o PT representa um grande perigo para o Brasil. Porém, há se levar em consideração os fatores (ii) e (iii).

Um bom exemplo da hegemonia petista nos meios de comunicação é dado pelo comportamento inequivocamente parcial da chamada grande imprensa. Recentemente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro foi severa e corretamente criticado por ter levantado a possibilidade de o governo implantar alguma medida similar ao AI-5. Contudo, os petistas repetidamente manifestam apoio às ditaduras cubana e venezuelana, endeusam terroristas como Carlos Marighella e Carlos Lamarca, afirmam que vão botar o “exército do Stedile” nas ruas etc. e não se ouve nem mesmo um décimo das críticas que foram dirigidas ao deputado Eduardo Bolsonaro.

A infiltração petista na justiça brasileira torna o partido ainda mais perigoso. A título de ilustração, compare os impeachments de Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff. Por decisão do STF, o processo de Dilma seguiu um rito muito mais demorado e que tornava mais difícil a condenação do que o rito adotado no caso do Collor. Como se isso não bastasse, ele renunciou ao cargo de presidente antes de ser condenado pelo Senado e ainda assim teve os seus direitos políticos cassados por oito anos. Por outro lado, Dilma não renunciou; a despeito disso, o PT conseguiu, de forma absolutamente ilegal, que os seus direitos políticos não fossem cassados apesar de o julgamento ter sido presidido por Ricardo Lewandowski, à época presidente do STF. Se isso não é um duplo padrão de tratamento, então eu não sei o que é.

Por fim, a mais contundente demonstração da influência petista nos tribunais foi dada pela própria libertação do Lula. Afinal de contas, o Brasil inteiro percebeu que o STF mudou a sua jurisprudência com o intuito de tirar presidiário de Curitiba da cadeia.

Em síntese, o PT é um partido socialista que é hegemônico no establishment universitário, intelectual, artístico e midiático e que conta com forte penetração na justiça brasileira. Nenhum outro grupo político existente no Brasil reúne essas três características.

Lição 4: tendo em vista a força do PT, a polarização é fundamental para conter o avanço da sua agenda totalitária

Inicialmente, convém lembrar que sem a polarização política o impeachment de Dilma Rousseff não teria ocorrido, possivelmente Lula jamais teria sido preso e talvez o PT tivesse vencido a eleição presidencial de 2018. Consequentemente, a polarização foi altamente benéfica para o Brasil.

Conforme discutido por este autor em um texto anterior, não existe a possibilidade de simultaneamente termos um ambiente político sem polarização e contermos o PT. A razão para tanto é simples: se em um passe de mágica os brasileiros que se opõem ao partido concordassem em não realizar manifestações de rua, em não expressar as suas convicções políticas nas redes sociais e em tratar o partido como se ele fosse uma agremiação política como qualquer outra, então o PT simplesmente avançaria a sua agenda como se fosse um trator.

A recente libertação do Lula foi uma contundente demonstração de força do PT. Não devemos nos iludir: ou faremos uma oposição ferrenha e constante ao partido ou ele terá outras vitórias. Consequentemente, a polarização é necessária para conter a referida organização extremista.


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