Rio de Janeiro, . | Esquerdismo


Para o socialista rico, escolta e carro blindado; para o cidadão comum, mais crime

Alexandre B. Cunha

Este autor discutiu no texto O socialista rico: aproveitador ou narcisista? a inconsistência entre o discurso e o comportamento daquelas pessoas abastadas que defendem a implantação do socialismo. O presente ensaio complementa aquele texto, fornecendo exemplos concretos das contradições incorridas por dois abonados militantes da esquerda radical.

O primeiro caso a ser discutido é o da deputada federal Maria do Rosário (PT RS), que sabidamente se dedica à defesa dos ‘direitos humanos’. Seguem-se três casos que ilustram a atuação da referida militante petista. Durante o período em que ela foi ministra dos Direitos Humanos, aprovou-se em 2012 uma norma permitindo que o adolescente infrator que estivesse internado em um estabelecimento correcional recebesse visitas íntimas. Em uma entrevista concedida em 2015, ela afirmou que “a redução da maioridade penal [seria] um grande retrocesso para o Brasil”. Por fim, ao debater em 2018 o problema da segurança pública na câmara federal, a deputada Maria do Rosário se manifestou contrária àquilo que ela chamou de “política de encarceramento em massa”; segundo ela, “quanto mais encarcerados, mais violência do lado de fora”.

Está claro que a deputada Maria do Rosário tem uma grande simpatia pelas ‘vítimas da sociedade’ que, devido à opressão do sistema capitalista, são compelidas a matar, roubar, estuprar, traficar etc. Apesar disso, ela tem plena consciência do perigo decorrente da ação dos marginais; tanto que ela possuía um carro blindado. Sabe-se disso devido ao fato de a imprensa brasileira ter recentemente noticiado o roubo do dito veículo.

A deputada Maria do Rosário (PT RS) é contrária ao “encarceramento em massa”; contudo, até recentemente ela usava um carro blindado. Fotógrafo: Luis Macedo/Câmara dos Deputados. Fonte: Câmara dos Deputados.

Não se está a censurar a deputada por ela ter um carro blindado. É uma firme posição deste autor que cada pessoa tem o direito de utilizar, desde que de forma legal, os seus recursos. Se um indivíduo, esteja ele envolvido ou não na política, quer utilizar o seu dinheiro para comprar uma bicicleta, um carro, um barco ou um relógio, então ele tem esse direito. Como algumas das matérias sobre o roubo do automóvel afirmam que ele pertencia à deputada, sob esse aspecto o comportamento da parlamentar não é passível de reprovação.

A crítica que se faz à Sra. Maria do Rosário é um pouco mais sutil. Observe que ao mesmo tempo em que ela aloca os seus recursos (que não são poucos, pois os deputados federais são muito bem remunerados) para se proteger da criminalidade desenfreada, ela promove políticas que deixam a maioria da população brasileira ainda mais vulnerável à ação dos marginais. Ou seja, enquanto a abastada deputada circula em um carro blindado, ela atua de forma a favorecer os bandidos que matam um pai de família que estava esperando um ônibus para ir para o trabalho de manhã cedo, que estupram uma brasileira que caminhava em uma rua escura e deserta ao retornar do trabalho, que roubam o celular e o tênis de um adolescente etc.

O caso do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL RJ) é pior do que a da congressista gaúcha. Esse parlamentar também é um notório defensor dos ‘direitos humanos’. Seguem-se alguns exemplos da sua atuação. Em um vídeo que o próprio deputado disponibilizou no YouTube, ele deixou claro ser contra a redução da maioridade penal. Nesse mesmo vídeo, ao falar sobre os presídios o deputado afirmou que “quanto mais gente lá, pior fica do lado de fora”. Em 2012, quando ainda era deputado estadual, o Sr. Marcelo Freixo apresentou um projeto de lei propondo a criação do Dia Estadual do Desarmamento, que teria como finalidade “mobilizar a sociedade fluminense para retirar de circulação o maior número de armas de fogo possível”.

Da mesma forma que Maria do Rosário, a atuação de Marcelo Freixo na defesa dos ‘direitos humanos’ não o impede de tomar muitos cuidados com a sua segurança pessoal. Conforme divulgado no website da sua correligionária Luciana Genro, o deputado não “bota o pé fora de casa” sem a companhia de uma escolta formada por policiais e agentes penitenciários do estado do Rio de Janeiro, somente “se desloca pela cidade em carro blindado” e “uma viatura da PM passa as noites de plantão na porta de sua casa”. Informações similares sobre a escolta e o carro blindado estão disponíveis em um website pertencente a Marcelo Freixo. Ao contrário da petista Maria do Rosário, que pagou com os seus próprios recursos por um carro blindado, o aparato de segurança desfrutado pelo psolista é custeado pelos recursos públicos.

O deputado Marcelo Freixo (PSOL RJ) defende que o cidadão comum seja impedido de ter armas de fogo; porém, ele não abre mão da sua escolta armada. Fotógrafo: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados. Fonte: Câmara dos Deputados.

Não se discute aqui se o governo deveria ou não proporcionar ao deputado Marcelo Freixo escolta e carro blindado. Por mais relevante que seja, essa questão não é abordada neste texto. O que se critica no presente ensaio é a postura do referido militante da causa socialista de simultaneamente atuar de forma aumentar a exposição do brasileiro comum à criminalidade e desfrutar de um caríssimo aparato de segurança. O fato de tal aparato ser custeado pelo contribuinte torna tal postura ainda mais abjeta.

Conclui-se a discussão do caso do político psolista com dois breves comentários. Primeiro, alguns juízes e promotores desfrutam de segurança fornecida pelo estado. Porém, ao contrário de Marcelo Freixo, eles trabalham para prender (ao invés de soltar) criminosos. Consequentemente, eles não incorrem na contradição discutida no parágrafo anterior. Segundo, o socialismo é um regime no qual a população vive em penúria enquanto a elite governante desfruta de tudo do bom e do melhor (exemplo 1, exemplo 2 e exemplo 3). O Sr. Marcelo Freixo nem mesmo se dispôs a esperar a implantação do socialismo para se colocar completamente acima do brasileiro comum. Se agora ele já tem essa atitude, imagine o que acontecerá caso o PSOL chegue ao poder…

Escolta, carro blindado etc para os deputados progressistas; os demais brasileiros que fiquem à mercê dos marginais que os esquerdistas radicais tanto defendem. Definitivamente, não se pode esperar coerência dos militantes socialistas.


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