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Os próximos passos da operação Lula Livre

Alexandre B. Cunha

Após o PT ter oficializado Fernando Haddad como o substituto de Lula no pleito presidencial que ocorrerá em outubro, o movimento pela libertação do presidiário de Curitiba parece ter arrefecido. Dentre outros motivos, isso provavelmente se deve ao fato de que um dos pilares da campanha de Haddad é a mentirosa alegação de que Lula está indevidamente preso. Por tal motivo, se o condenado sair da cadeia agora, tornar-se-á mais difícil apresentar o novo candidato petista como representante de um líder injustiçado. Assim sendo, é provável que a operação Lula Livre recupere a força após o período eleitoral.

Manifestação pela libertação de Lula ocorrida em Brasília no dia 14 de agosto de 2018. Fotógrafo: Leonardo Milano/Mídia NINJA. Fonte: Flickr.

A possível atuação petista buscando a liberdade de Lula deverá ocorrer em duas frentes, a judicial e a política. No tocante à primeira delas, há poucos dias Dias Toffoli tomou posse na presidência do STF. Muito poderia ser dito sobre aquele senhor. Para os fins deste texto, é suficiente afirmar que, na visão deste autor, não haverá oportunidade similar para os advogados de Lula. Inclusive, já em 2019 aquele tribunal voltará a avaliar se as penas de prisão devem ser cumpridas após a condenação em segunda instância. Adicionalmente, sempre há a possibilidade de que a exemplo do ocorrido em julho último, algum juiz simpático à causa socialista determine, ao arrepio da lei, que Lula deve ser libertado.

No que diz respeito à arena política, se Fernando Haddad não for eleito presidente da República, então não haverá muito que o PT possa fazer. Essencialmente, os militantes socialistas estarão restritos a organizar passeatas, comícios com artistas e músicos da extrema esquerda, manifestos assinados por ‘intelectuais’ vermelhos etc. Contudo, se o preposto do presidiário chegar ao Planalto, então a situação será completamente distinta. Em primeiro lugar, a operação Lula Livre terá muito mais recursos financeiros ao seu dispor. Afinal de contas, uma administração petista não hesitará em utilizar verbas públicas para fortalecer um movimento em prol do seu líder supremo. E, o mais importante, é possível que Haddad venha a conceder um indulto ou uma anistia para o seu condenado predileto.

Até recentemente, o objetivo final do movimento em favor de Lula era fazer com que o presidiário de Curitiba retornasse à presidência da República. Já se sabe que isso não ocorrerá nesta eleição. Contudo, em 2022 haverá outro pleito presidencial e o PT poderá novamente lançar a candidatura do condenado. Evidentemente, se ele tiver sido anistiado ou indultado, a tarefa será consideravelmente mais simples. Caso contrário, mesmo que esteja fora da cadeia, Lula terá uma tarefa difícil pela frente. Além das restrições decorrentes da Lei da Ficha Limpa, a sentença que lhe foi imposta o proíbe de ocupar cargos públicos por 19 anos. Ademais, Lula ainda é réu em outros processos. De toda forma, o PT já demonstrou de forma inequívoca que o partido é capaz de tentar passar por cima da legislação eleitoral.

Em síntese, nada sugere que os petistas se conformaram com a prisão e a inelegibilidade do seu líder supremo. A operação Lula Livre, que na verdade não passa de uma fachada para um movimento que busca colocar o presidiário de Curitiba no Palácio do Planalto, ainda não foi derrotada de forma definitiva. O Brasil precisa estar preparado para enfrentar as pressões, artifícios e logros que muito possivelmente o PT já está arquitetando.


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