Rio de Janeiro, . | Economia, Estatística


O desafio do ajuste fiscal: considerações adicionais, parte 1

Alexandre B. Cunha

Conforme discutido no artigo O desafio do ajuste fiscal, o Brasil precisa implementar um forte ajuste fiscal para que a relação entre a dívida pública e o PIB se estabilize. Argumentou-se naquele ensaio que uma estimativa otimista sugere que o ajuste fiscal em questão deve ser igual 4,42% do PIB. Apresentam-se neste breve texto algumas considerações adicionais sobre essa questão.

Claramente, 4,42% do PIB é um valor expressivo. O governo não conseguirá efetuar um ajuste fiscal de tal magnitude apenas tomando providências como cortar as passagens aéreas e serviços de fotocópia e economizar nas contas de luz dos estabelecimentos públicos. Por exemplo, em 2013 o gasto total das três esferas (federal, estadual e municipal) com educação foi igual a 6,2% do PIB. Como 4,42 corresponde a aproximadamente 71,3% de 6,2, podemos então concluir que o governo precisa realizar ao longo dos próximos anos um ajuste equivalente a 71,3% daquilo que ele gasta com educação.

Também se chega a uma conclusão igualmente impressionante ao se comparar aqueles 4,42% aos gastos com a defesa nacional. Em 2013, o governo brasileiro alocou recursos equivalentes a 1,46% do PIB para tal rubrica do orçamento. Como 1,46 x 3 = 4,38 e esse último valor é menor do que 4,42, pode-se então concluir que o ajuste fiscal necessário para a estabilização da relação dívida/PIB supera o triplo do gasto público com a defesa nacional.

Dito isto, este autor toma a liberdade de repetir a conclusão do artigo O desafio do ajuste fiscal: “não será trivial desfazer os efeitos nocivos do descaso com que as contas públicas foram tratadas até recentemente”.


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