Rio de Janeiro, . | Economia, Política


O Brasil na encruzilhada

Alexandre B. Cunha

Diversos outros textos deste blog (exemplo 1, exemplo 2 e exemplo 3) abordaram a questão do desequilíbrio fiscal e as possíveis consequências adversas decorrentes desse problema não ter sido sanado. Não se deve ter qualquer ilusão a esse respeito. O Brasil está diante de duas opções mutuamente excludentes: ou (i) o governo fará um grande ajuste nas suas contas ou (ii) mais cedo ou mais tarde a nação mergulhará em uma profunda recessão. Discute-se no restante deste texto como que esse dilema se reflete na eleição presidencial que ocorrerá em outubro deste ano.

A solução do problema fiscal requer a implementação de uma extensa agenda de reformas econômicas. E não há como tal agenda ser aprovada pelo Congresso sem que exista uma ampla base de sustentação política. Esse quadro implica que ao eleger o próximo presidente, o país estará, na prática, escolhendo entre dois caminhos completamente distintos. Se o eleitorado selecionar um candidato que acredite na necessidade das reformas e que seja capaz de construir uma aliança parlamentar grande o suficiente grande para aprová-las, então provavelmente o país retomará o caminho da prosperidade; caso contrário, o país se defrontará com uma séria crise econômica.

Encruzilhada. Fotógrafo: Carsten Tolkmit. Fonte: Wikimedia Commons.

A própria historia brasileira nos ajuda a compreender o que estará em jogo em outubro de 2018. Em retrospecto, não é difícil concluir que o país também estava diante de uma encruzilhada quando ocorreu a eleição presidencial de 1994. A inflação havia sido debelada com a introdução do Plano Real. Contudo, a manutenção da estabilidade econômica exigia que o pais implementasse várias reformas. Não é à toa que durante o governo FHC ocorreram diversas privatizações, houve uma reforma da previdência e o Banco Central levou a cabo um programa de saneamento financeiro dos bancos. O livro Saga Brasileira: A Longa Luta de um Povo por Sua Moeda, de autoria da jornalista Míriam Leitão, contém uma interessante descrição desses eventos. Tivesse o resultado da eleição sido outro, muito provavelmente a inflação teria retornado, o Plano Real teria fracassado e o Brasil teria mergulhado em uma profunda crise.

Nem todas as eleições presidenciais são decisivas como a de 1994. Por exemplo, em 2002 e 2006 o Brasil elegeu Lula. Contudo, em nenhuma daquelas ocasiões o país estava à beira de um precipício; por tal motivo, a nação pode se dar ao luxo de eleger um indivíduo que viria a plantar as sementes do desastre econômico que se abateu sobre o Brasil em 2015 e 2016. Essa alternativa não estará disponível em outubro. Ou o eleitorado escolherá um indivíduo que abrace as reformas necessárias para desatar o nó fiscal e seja capaz de angariar o apoio político para a sua execução ou o país se defrontará com dias muito difíceis.


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