Rio de Janeiro, . | Esquerdismo, Socialismo


Não, os petistas não amam o verdadeiro Lula

Alexandre B. Cunha

O recente encarceramento de Lula lançou os militantes do PT e das suas linhas auxiliares em um estado de transe. Tão logo foi emitida a ordem de prisão, o condenado e seus apoiadores se reuniram em São Bernardo do Campo. Depois que o criminoso já estava devidamente encarcerado, organizou-se uma vigília em Curitiba. Nesse meio-tempo, estradas foram bloqueadas e pneus foram queimados. Curiosamente, esses acontecimentos jogam luz sobre a natureza totalitária do socialismo e, principalmente, sobre o desprezo que todo esquerdista radical tem pelo ser humano.

Manifestação pró-Lula em São Bernardo do Campo no dia 6 de abril de 2018. Fotógrafo: não identificado/Mídia NINJA. Fonte: Flickr.

Por coincidência, um texto publicado neste blog em 21 de março último discutia justamente o fato de os militantes da causa socialista atribuírem aos seus líderes uma natureza semidivina. Os membros do complexo PT-PSOL-etc não fogem à regra. Por exemplo, segundo a notória petista Marilena Chaui, “quando Lula fala, o mundo se ilumina”. Já a senadora Gleisi Hoffmann se transformou, conforme o vídeo abaixo, em sacerdotisa do culto Lulo-petista.

Aparentemente, até mesmo Lula está convencido da sua natureza sobre-humana, pois declarou que “eu não sou mais um ser humano, sou uma ideia”. Para o leitor que deseja ouvir o próprio condenado falar tal absurdo, o apêndice no final deste ensaio contém diversos vídeos. No primeiro deles o criminoso faz exatamente essa afirmativa, ao passo que no segundo ele profere declarações similares.

Supostamente, os militantes socialistas desejavam externar o seu profundo apreço pelo líder preso. O problema é que o verdadeiro Lula é uma figura completamente distinta do semideus adorado pelos militantes petistas. Afinal de contas, ele cometeu diversos crimes. Mais ainda: bem antes de chegar ao poder, Lula já era uma pessoa com sérias deformações morais. A infame entrevista concedida à revista Playboy em 1979 e o vídeo abaixo são mais do que suficientes para demonstrar a sua verdadeira natureza.

Dito isto, é patente que a adoração dos petistas e demais militantes da esquerda radical não se dirige ao Lula real. Os socialistas amam uma criatura mítica criada pela sua máquina de propaganda. Ou seja, eles amam algo que não existe.

A paixão dos esquerdistas radicais pelo Lula semidivino fornece uma importante evidência de uma das mais cruéis características daquelas pessoas: a incapacidade de amar e respeitar o ser humano. A título de comparação, considere o comportamento dos ingleses e dos norte-americanos típicos. Existe na cidade de Londres um monumento em homenagem ao vice-almirante Horatio Nelson. Dentre outros feitos, Nelson comandou a esquadra inglesa que derrotou, de forma decisiva, uma força composta por navios franceses e espanhóis na Batalha de Trafalgar. Em consequência dessa derrota, Napoleão teve que desistir definitivamente dos seus planos de invadir a ilha britânica.

Monumento em homenagem ao vice-almirante Horatio Nelson, localizado na Praça de Trafalgar (Londres). Fonte: Wikimedia Commons.

Já nos Estados Unidos, várias cidades e universidades foram denominadas de forma a homenagear os fundadores da república norte-americana. Por exemplo, o nome da capital do país foi escolhido em tributo a George Washington. Contudo, nem os britânicos nem os norte-americanos atribuem aos seus heróis características divinas. Horatio Nelson e George Washington são admirados pelo que foram: seres humanos e, consequentemente, criaturas imperfeitas.

A postura da esquerda radical não poderia ser mais distinta. De fato, este autor não se recorda de ter presenciado, uma única vez que fosse, um socialista manifestar respeito ou admiração por um ser humano real. Aparentemente, os militantes revolucionários são incapazes de amar uma pessoa comum. Eles certamente amam os seus semideuses. No tocante ao povo, eles o amam apenas como uma entidade abstrata. Criaturas como este autor ou o leitor não são dignas de um sentimento positivo por parte dos socialistas. Se um ser humano comum despertar algum sentimento no esquerdista radical, então muito provavelmente esse sentimento será o ódio. Não é à toa que o socialismo matou aproximadamente 100 milhões de indivíduos… Afinal de contas, na visão daqueles fanáticos as pessoas que o socialismo mata são infinitamente inferiores aos seus venerados líderes. Definitivamente, aqueles 100 milhões de mortos são simplesmente irrelevantes para os membros da seita vermelha. E eles não fazem segredo disso. Por exemplo, ao ser perguntado se as mais de 15 milhões de mortes causadas por Stalin estariam justificadas caso o tirano tivesse sido bem-sucedido em criar o paraíso prometido pelos socialistas, o historiador britânico e notório stalinista Eric Hobsbawm respondeu “sim”.

A prática dos militantes da extrema esquerda de amar um líder elevado à categoria de semideus é uma das razões para que a implantação do socialismo inevitavelmente resulte em uma monstruosa tirania. No momento em que se assume a existência de um líder genial e perfeito que governa indivíduos limitados e imperfeitos, a inevitável consequência é que se atribua ao líder o poder de decidir pelas pessoas. Não interessa se o cidadão comum X prefere a opção A à opção B; se o líder decidir que B é melhor do que A, então X terá que se contentar com B. Em outras palavras, é inevitável que a população se torne escrava dos caprichos do governante de plantão.

Em síntese, as manifestações da esquerda radical contra a prisão de Lula fornecem uma boa amostra do que é o socialismo. O líder é elevado ao status de semideus. As demais pessoas são, pura e simplesmente, criaturas inferiores que, por tal motivo, são reduzidas à categoria de propriedade de um estado totalitário.


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Apêndice: vídeos diversos