| Política


Infelizmente, o Brasil precisa de um novo presidente

Alexandre B. Cunha

Há poucos dias, o Brasil foi abalado pela divulgação do áudio da conversa entre o presidente da República Michel Temer e o empresário Joesley Batista. Apesar dos sérios equívocos incorridos pela procuradoria geral da República no episódio em questão e a despeito da possibilidade de o áudio ter sofrido edições, o fato é que a nação está ciente de que a conversa ocorreu e tem uma noção suficientemente acurada do seu teor. E, conforme se discute abaixo, não há como Michel Temer permanecer na presidência.

A reunião de Temer com Joesley e a correspondente gravação contêm pelo menos três elementos devastadores para o atual presidente. Em primeiro lugar, a simples ocorrência da reunião já é algo absurdo. Joesley e a JBS eram alvos de diversas investigações e isso era de conhecimento público. É simplesmente inaceitável que o presidente da República receba tal pessoa para uma conversa em sua residência oficial. Caso a realização do encontro fosse realmente inevitável, então ele deveria ter ocorrido no Palácio do Planalto na presença de várias testemunhas.

O segundo erro do presidente foi ignorar as sérias alegações de Joesley. O empresário afirmou estar comprando o silêncio de testemunhas e estar subornando juízes e procuradores. Tendo em vista o cargo que ocupa, Michel Temer tinha a obrigação de relatar as alegações de Joesley às autoridades competentes (possivelmente o ministro da justiça e/ou o advogado geral da União).

A terceira falta decorre de Temer ter sugerido a Joesley que procurasse o deputado Rodrigo da Rocha Loures e este ter sido flagrado recebendo R$ 500 mil, quantia esta entregue em uma mala por um dos diretores da JBS. Isso por si só já seria extremamente sério. Contudo, existe um agravante: Rodrigo da Rocha Loures é uma pessoa extremamente próxima a Michel Temer, tendo inclusive ocupado o pomposo cargo de “Assessor Especial do Gabinete Pessoal do Presidente da República” no atual governo.

Mesmo que fosse possível relevar uma ou outra das três falhas acima discutidas, o conjunto da obra é absolutamente incompatível com permanência de Temer no cargo. Ressalte-se que, apesar de não estar claro se o áudio foi ou não manipulado, os fatos acima relatados não foram contestados por Michel Temer. Ele admite que a reunião efetivamente ocorreu e, pelo menos até o presente momento, não afirmou que a conversa não se deu da forma acima descrita.

É realmente lamentável que o país esteja enfrentando tal situação. Michel Temer foi alçado ao comando da nação durante aquela que talvez seja a mais severa recessão enfrentada pelo país. Como se isso não bastasse, existia a incerteza política advinda dos impactos da Lava-Jato e a severa oposição do PT e seus diversos satélites. Provavelmente, nenhum governo se iniciou em condições tão adversas desde o fim do regime militar. A despeito desse quadro, ele teve sucesso em interromper a deterioração do cenário econômico. Ocorreu a aprovação da emenda constitucional que estipulou um teto para o crescimento dos gastos públicos e a tão necessária reforma da previdência estava relativamente bem encaminhada.

A despeito dos méritos de Michel Temer, o país não pode ficar refém de uma pessoa. Se a sociedade brasileira aceitar que ele permaneça na presidência, então ela estará referendando as práticas corruptas que assolam a política nacional. Assim sendo, é no melhor interesse da nação que o governo Temer se encerre o mais rapidamente possível.


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