Rio de Janeiro, . | Política


Eleição 2018: a real disputa parece ser entre Jair Bolsonaro e o PT

Alexandre B. Cunha

As últimas pesquisas eleitorais apontam para uma polarização entre o deputado federal Jair Bolsonaro e o candidato petista Fernando Haddad. Esse quadro foi ontem reafirmado pelo Ibope. De acordo com o último levantamento realizado por essa instituição, o deputado tem 28% das intenções de voto, ao passo que o candidato ungido pelo presidiário de Curitiba se encontra no patamar de 22%.

Deputado Jair Bolsonaro inflando um pixuleco. Fotógrafo: não identificado. Fonte: Flickr.

Faltam apenas doze dias para o primeiro turno, o qual ocorrerá no dia 7 de outubro. Nada sugere que algum dos demais concorrentes terá sucesso em suplantar Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad. Assim sendo, aparentemente a disputa está restrita a esses dois postulantes. Resta saber se haverá ou não um segundo turno.

As pesquisas sugerem que Jair Bolsonaro não deve vencer no primeiro turno. Porém, é preciso fazer três comentários. Primeiro, a abstenção tem sido muita alta nas eleições brasileiras. Tendo em vista que o deputado é tido por muitos como um candidato que não pertence ao establishment, não é impossível que eleitores que não votaram nas últimas eleições se disponham a fazê-lo neste ano. Segundo, pode haver um crescimento no eleitorado de Bolsonaro nos últimos dias antes da eleição devido à rejeição ao PT. Tal fenômeno se daria da seguinte forma: ao perceberem o crescimento de Haddad, eleitores que rejeitam o PT migrariam de outros candidatos (como Geraldo Alckmin e Álvaro Dias) para Bolsonaro ainda no primeiro turno. Terceiro, há que se levar em conta o fenômeno do eleitor envergonhado (shy voter em inglês), o qual, devido à forte campanha feita contra o deputado, preferiria omitir dos entrevistadores dos institutos de pesquisa a sua intenção de votar em Jair Bolsonaro. De toda forma, tendo em vista o cenário apresentado pelas pesquisas eleitorais, é difícil imaginar que esses efeitos sejam suficientemente fortes para fazer com que Bolsonaro vença no primeiro turno.

Também não há qualquer evidência de que Fernando Haddad conseguirá uma votação suficientemente expressiva para vencer no primeiro turno. Vale ressaltar que o PT dificilmente se beneficiará consideravelmente dos três fatores (comparecimento de eleitores que usualmente se abstêm, migração devido à rejeição do oponente e eleitores envergonhados) que podem fazer com que Bolsonaro tenha um desempenho superior ao previsto nas pesquisas. Adicionalmente, Haddad é acima de tudo o herdeiro do eleitorado do presidiário de Curitiba. Ou seja, aqueles que pretendiam votar em Lula votarão no seu fantoche e nada sugere que Haddad conseguirá votos fora do campo lulista. Tendo em vista que nem Dilma nem o seu chefe jamais venceram uma eleição no primeiro turno e que todas as pesquisas nas quais o nome de Lula foi incluído não apontaram para uma vitória do presidiário de Curitiba no primeiro turno, não parece razoável supor que o preposto do condenado seja vitorioso no próximo dia 7.

Em síntese, somente Jair Bolsonaro e o PT parecem ter chances de vencer a eleição para a presidência da República. Provavelmente haverá um segundo turno, no qual a disputa deverá ser extremamente parelha.


Observação
A análise realizada neste texto pressupõe que as pesquisas de intenção de voto sejam minimamente acuradas. Estando elas completamente incorretas, então as conclusões aqui apresentadas deixam de ser válidas.


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