Rio de Janeiro, . | Capitalismo, Democracia, História, Liberdade


Capitalismo e libertação do trabalho

Alexandre B. Cunha

O leitor certamente já se deparou repetidas vezes com expressões esquerdistas como alienação do trabalho, exploração capitalista, mais-valia etc. Usualmente, as mesmas são utilizadas para nos convencer de que os trabalhadores vivem um infortúnio ilimitado sob o capitalismo. E, adivinhe, o socialismo é a poção mágica capaz de pôr fim a tamanha crueldade.

O argumento delineado no parágrafo anterior é tão verdadeiro quanto o compromisso da esquerda radical com a liberdade. Por outro lado, é absolutamente correto afirmar que:
(1) O capitalismo foi um elemento crucial para o fim da servidão e da escravidão no mundo ocidental e no Japão.
(2) A implantação do socialismo em uma nação transforma quase todos os seus habitantes em escravos pertencentes a um estado totalitário.
O restante deste texto será dedicado a estabelecer a veracidade da primeira afirmativa. A exatidão da segunda será demonstrada em um post futuro.

O feudalismo foi o sistema econômico que antecedeu o capitalismo na Europa e no Japão. A servidão era uma das suas características centrais. Por levar ao ocaso das estruturas econômicas, sociais e políticas do feudalismo, a emergência do capitalismo foi um fator central para o fim da servidão.

A escravidão surgiu muito antes do advento do capitalismo. Mais ainda: ela esteve presente em diversas regiões do globo e em datas variadas. Por exemplo, o código de Hamurabi, o qual data de aproximadamente 1754 a.C., faz menção à escravidão. Havia escravos na Suméria e no Egito Antigo, assim como nas clássicas civilizações da Grécia e de Roma. No caso específico do continente americano, já existia escravidão antes da chegada das naus de Colombo, inclusive nas avançadas civilizações Asteca e Maia. Pode-se dizer que antes do surgimento do capitalismo a ocorrência da escravidão esteve muito mais próxima de ser uma regra do que uma exceção.

Seria possível escrever inúmeros tratados sobre a contribuição do capitalismo para o fim da escravidão no mundo ocidental. Porém, para os fins desta breve nota é suficiente observar o seguinte fato: a escravidão não desapareceu de forma pacífica. Discursos, artigos, sermões religiosos e livros não foram suficientes para vencer a resistência daqueles que se beneficiavam economicamente da escravidão. Ou seja, não era comum que um senhor de engenho ou um traficante de escravos ouvisse um discurso e então afirmasse: “Muito obrigado, meu amigo abolicionista. Você me iluminou e agora eu sou uma pessoa muito melhor. Vou imediatamente libertar todos os meus escravos.” O combate à escravidão requereu ação militar. Exatamente neste ponto o capitalismo teve um papel decisivo.

A Guerra Civil Americana e o bloqueio naval imposto pela marinha inglesa ao tráfico de escravos foram cruciais para o fim da escravidão no nosso hemisfério. No caso da Guerra Civil, o norte dos EUA já era uma sociedade industrial, ao passo que o sul escravocrata era essencialmente agrário. Por tal razão, o poderio econômico do norte era muito maior do que o do inimigo. Esse diferencial de capacidade econômica foi crucial para a vitória do norte e a consequente abolição da escravidão nos EUA. Fatores econômicos também foram relevantes para o bloqueio naval. O enriquecimento gerado pela Revolução Industrial permitiu que Inglaterra financiasse uma esquadra na África Ocidental que chegou a ter vinte e cinco navios dedicados primordialmente a combater o tráfico de escravos.

Além de criar a riqueza que financiou as ações militares necessárias para pôr fim ao regime escravocrata, o capitalismo desempenhou um papel mais sutil no combate à escravidão. O abolicionismo floresceu em países que haviam adotado o sistema político a que os esquerdistas radicais se referem, de forma pejorativa, como democracia liberal burguesa. Tendo em vista que esse sistema tem dentre os seus fundamentos os conceitos de liberdade e igualdade perante a lei, então não é de surpreender que tal ambiente fosse favorável à abolição da escravatura. Por outro lado, jamais existiu uma democracia liberal burguesa em uma sociedade que não tivesse adotado o sistema capitalista. Conclui-se então que o capitalismo foi fundamental para o surgimento do sistema político no qual o ideário abolicionista se desenvolveu.

Ao contrário daquilo usualmente alegado pelos esquerdistas radicais, o capitalismo não foi responsável pelo surgimento, disseminação ou persistência da servidão e da escravidão. Na verdade, justamente o oposto é verdadeiro. O capitalismo foi fundamental para que aquelas duas chagas fossem abolidas do mundo ocidental.


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